A apresentação que não passa no board
Por que projetos bem fundamentados não recebem aprovação. O que falta não costuma estar nos slides.
A apresentação que não passa no board
O projeto estava bem fundamentado. O ROI estava calculado, os riscos mapeados, os benchmarks internacionais alinhados. Cinquenta e seis slides, revisados por três times diferentes. O board ouviu por vinte minutos e pediu para trazer de novo no próximo trimestre.
A resposta padrão para esse resultado é “o board não entendeu” ou “falta de apoio político”. As duas podem ser verdadeiras. Mas há um terceiro diagnóstico que raramente aparece na análise: a apresentação não tinha uma história.
O board não recusa projeto mal elaborado. Recusa projeto que não explica por que importa agora, para esta empresa, com esta equipe, neste momento. E isso não é pergunta técnica. É pergunta narrativa.
O slide de contexto não responde a essa pergunta. O contexto diz onde o mercado está. A narrativa diz por que você está nessa sala fazendo essa proposta nesse dia. A diferença é que o contexto pode ser ignorado e a narrativa não pode, porque a narrativa coloca o interlocutor dentro de uma situação em que uma decisão tem consequências.
Um board precisa de três coisas antes de aprovar qualquer coisa: entender o que está em jogo, acreditar que a equipe sabe o que está fazendo e ter uma imagem clara do que muda se o projeto acontecer. Essas três coisas são estrutura narrativa: uma ameaça ou oportunidade (o que está em jogo), um personagem com autoridade sobre o problema (a equipe), e uma virada possível (o que muda).
O projeto que não passa no board raramente tem problema de dados. Tem problema de quem está sendo convocado a decidir e por quê.
Corrigir isso não é criar slides melhores. É escrever a história certa antes de abrir o PowerPoint.