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1001 usos do storytelling

Médico, advogado, engenheiro, professor, psicólogo

Por que profissionais de conhecimento têm uma relação específica com o storytelling, e o que cada profissão precisa aprender a fazer com as histórias que já tem.

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Médico, advogado, engenheiro, professor, psicólogo

A medição de saturação de pauta de 47 temas de storytelling aplicado mostrou zero artigos que tratassem do tema por segmento profissional específico. (medição interna: Search Console sc-domain:storytellers.com.br, 47 temas de storytelling aplicado, período 26/04 a 25/07/2026) A lacuna não ficou rasa: ficou vazia.

O que ela revela é que a conversa sobre storytelling, em português, ainda acontece no genérico: como qualquer pessoa pode usar narrativa para comunicar melhor. O que está em falta é a conversa específica, aquela que começa pela singularidade da posição de cada profissão.

E cada profissão tem uma posição diferente.

O médico. Tem um dos maiores ativos de storytelling do mundo: o depoimento do paciente, que quer dizer o que mudou na vida dele depois do tratamento. E tem também uma das maiores restrições éticas: a Resolução CFM 2.336/2023 (em vigor desde março de 2024) permite o repost pontual de depoimentos de pacientes nas redes sociais, mas veda o uso reiterado e qualquer promessa de resultados. (Resolução CFM 2.336/2023) O resultado é um profissional com histórias que não pode contar de uma forma e precisa aprender a contar de outra.

O advogado. Passa a carreira construindo narrativas para tribunais: a história da parte que representa, organizada para um juiz tomar uma decisão. A pergunta que raramente se faz é se essa habilidade, desenvolvida com precisão técnica, pode ser usada fora do tribunal para explicar o próprio trabalho. O art. 39 do Código de Ética da OAB veda publicidade que vise captação de clientela ou mercantilização da profissão; publicidade informativa é permitida. Regras detalhadas no Provimento OAB 205/2021 (que revogou o 94/2000).

O engenheiro. Tem projetos que mudaram infraestrutura, reduziram custos em escala, resolveram problemas de décadas. E costuma apresentar isso em linguagem de especificação técnica para uma audiência que quer saber o que mudou na vida das pessoas. A história está na diferença entre antes e depois; o engenheiro tem os dados de ambos.

O professor. É o profissional com maior densidade de histórias de transformação: aluno que não entendia e entendeu, conceito que parecia impossível e ficou claro, aula que mudou como alguém via um problema. O desafio não é ter história: é selecionar qual historia conta algo além do orgulho de quem ensina.

O psicólogo. Trabalha com as histórias das pessoas como matéria-prima do ofício. O sigilo do consultório fecha a maioria das histórias diretas. O que fica disponível são as histórias sobre o processo, nunca sobre o paciente, e as histórias sobre o que o profissional aprendeu ao longo do caminho.

O ponto que atravessa todos: a história que um profissional regulamentado pode contar raramente é a mais óbvia. É quase sempre a história sobre o processo, não sobre o resultado. E essa história, quando bem contada, informa sem infringir.