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Tenho o dado e perco a sala

O que acontece entre o número certo e a atenção da sala. E por que saber os dados não é suficiente para ser ouvido.

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Tenho o dado e perco a sala

Ela tinha todos os números. A pesquisa levou três meses, o relatório tinha quarenta e duas páginas, e ela conhecia cada linha melhor do que ninguém na sala. Quando chegou a hora de apresentar, ela começou pelo slide de metodologia.

Quatro minutos depois, metade dos executivos estava olhando para o celular.

O dado estava certo. A sala estava perdida.

O que acontece nesse intervalo não é falta de dados, não é falha de apresentação e não é incompetência da audiência. É que dado, sozinho, não sabe por onde entrar. Ele precisa de uma história que justifique por que ele importa, antes de existir como informação relevante.

A sequência que funciona é o inverso da que parece mais responsável: você não apresenta a metodologia primeiro para provar que o dado é confiável. Você apresenta a pergunta que o dado responde, coloca a audiência dentro do problema, e aí o dado aparece como resolução. A credibilidade vem depois da relevância, não antes.

Isso não é retórica. É estrutura. A diferença entre os dois: retórica é o que você diz; estrutura é a ordem em que você diz.

Essa é a diferença entre dado apresentado e história que usa dado.