Jung: o que está e o que não está no original
Os arquétipos que todo mundo cita e poucos leram. O que Jung disse, o que ele não disse, e por que a diferença importa para quem trabalha com narrativa.
Jung: o que está e o que não está no original
O que é este verbete. Não é um resumo de um livro só. É um mapa do que Jung efetivamente escreveu sobre arquétipos comparado com o que circula atribuído a ele, especialmente no contexto de storytelling e branding. A distinção existe porque boa parte do que se ensina como “os 12 arquétipos de Jung” não está nos textos originais na forma em que é apresentado.
O que Jung disse sobre arquétipos. Em Os Arquétipos e o Inconsciente Coletivo (Obras Completas, vol. 9/1, Editora Vozes), Jung desenvolveu arquétipos como estruturas universais do inconsciente coletivo: padrões de comportamento e imagem que se repetem através de culturas e épocas em mitos, sonhos e religiões. As figuras que ele discute incluem a Sombra, a Anima, o Animus, o Velho Sábio, a Grande Mãe e o Self. Ele não as apresentou como lista numerada de doze slots com aplicações de branding.
O que não está em Jung. A sistematização de doze arquétipos com nomes como “o Herói”, “o Bobo da Corte”, “o Cuidador” em formato de grid de branding vem de trabalhos posteriores, principalmente de Carol Pearson e Margaret Mark no livro O Herói e o Fora-da-lei, publicado décadas depois. (Carol S. Pearson e Margaret Mark, O Herói e o Fora-da-lei: Como Construir Marcas Extraordinárias Usando o Poder dos Arquétipos, Editora Cultrix, ISBN 9788531608094; original: The Hero and the Outlaw, McGraw-Hill, 2001)
Por que a diferença importa para narrativa. Quem cita Jung para justificar uma escolha de arquétipo de marca está citando uma interpretação aplicada, não a fonte. Isso não invalida o uso, mas muda o grau de autoridade da afirmação. Saber de onde vem o que você ensina é parte da credibilidade de quem ensina.
O que ler. Jung, C.G. Os Arquétipos e o Inconsciente Coletivo. Obras Completas, vol. 9/1. Editora Vozes. Para quem quer a fonte. Pearson, Carol S.; Mark, Margaret. O Herói e o Fora-da-lei: Como Construir Marcas Extraordinárias Usando o Poder dos Arquétipos. Editora Cultrix. ISBN 9788531608094. Para quem quer a sistematização aplicada: este é o texto de onde vieram os 12 arquétipos de branding, não Jung.
Vale a leitura se. Você usa arquétipos no seu trabalho com narrativa e quer saber o que está falando quando invoca Jung, em vez de confiar em interpretações de terceiro.