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O Guia Completo do Storytelling

O livro de 2016 que tentou reunir num volume só o que estava espalhado em fragmentos. O que tem dentro, capítulo a capítulo, para você saber antes de ler.

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O Guia Completo do Storytelling

O que é. Um livro de 448 páginas sobre storytelling aplicado, de Fernando Palacios e Martha Terenzzo, publicado pela Alta Books em 2016. O manuscrito chegou a 900 páginas e acabou quebrado em três livros. A proposta que os autores declaram na introdução é reunir num volume só o que, na busca comum, aparecia em fragmentos superficiais e desencontrados.

De onde ele veio. De uma sala de aula em 2011, a primeira que os dois autores dividiram. Cada aluno tinha menos de trinta segundos para se apresentar, e a fila começou como se esperava: o gestor de uma marca internacional, uma gerente de produtos, o diretor de marketing, uma dupla de publicitários. Até que um senhor bem-vestido se apresentou dizendo “Eu sou um anjo”. Era um anjo investidor, e queria saber como as histórias ajudam um negócio novo a prosperar. Depois dele veio uma arqueóloga, que descreveu o próprio ofício como montar histórias a partir de fragmentos, e uma ortodontista, que suspeitava que uma boa história tirasse o foco da dor durante o tratamento. O livro nasceu dessa sala: o interesse por narrativa não estava confinado a um ofício só, e nenhum manual existente dava conta dessa largura.

O que você vai encontrar. Dez capítulos, em ordem crescente de aplicação. Os três primeiros montam o terreno: por que contar uma história, com um capítulo dedicado só à ética do tema; os conceitos, entre eles a diferença entre story e telling; e os benefícios, dos inerentes aos da prática corporativa. O quarto varre nove campos fora do mundo dos negócios, do jornalismo à religião, passando por política, turismo, design, ciências, educação e entretenimento. O quinto entra na empresa e separa quatro situações que costumam ser tratadas como uma só: multinacional B2C, empresa B2B, startup e terceiro setor. O sexto e o sétimo são o miolo prático, e vêm em par: Exotelling, a história que a organização conta para fora, em marketing, trade, branding, publicidade e relações públicas; e Endotelling, a que ela conta para dentro, em liderança e em apresentações. O oitavo propõe sete níveis de evolução, do fragmento solto à inovação em storytelling. O nono é um estojo de técnicas, com os sete pecados capitais do storytelling, o Plot Toolkit e um exercício de futurologia sobre o tema. O décimo fecha com repertório, bibliografia e índice.

Os termos que nasceram aqui. O livro declara nas advertências que Endotelling, Plot Toolkit e Topografia de Interesse foram cunhados pelos autores. Exotelling e Socialtelling chegam apresentados como novidade nos próprios títulos de capítulo e de seção.

O que a obra recusa ser. Manual de um formato só, e a recusa é a tese que organiza o livro. Livros de técnica narrativa costumam ficar presos ao roteiro de cinema, à apresentação de palco ou ao romance; este atravessa os formatos de propósito, perguntando o que o escritor aprende com o dramaturgo, o quadrinista com o roteirista de games, e todos eles com o pessoal das marcas. A obra recusa também o lugar de palavra final: nas advertências os autores adotam o conceito japonês de wabi-sabi e declaram o livro incompleto, imperfeito e impermanente, admitindo por escrito que parte dos conceitos vai envelhecer.

A fonte. Fernando Palacios e Martha Terenzzo. O Guia Completo do Storytelling. Alta Books, Rio de Janeiro, 2016, 448 páginas. ISBN 9788576089872. A editora disponibiliza um capítulo de amostra em PDF aberto, com o sumário completo, a introdução e as advertências, e é ele o caminho legítimo para quem procura ler um pedaço antes de comprar. O livro também tem site próprio, em guiacompletodostorytelling.com.br.

Vale a leitura se. Você quer um panorama largo do storytelling aplicado antes de escolher onde se aprofundar, ou trabalha num campo que raramente aparece em livro de narrativa e quer ver o tema tratado a partir dele.

Verbete de estante. Este portal integra o mesmo ecossistema editorial de um dos autores do livro resenhado.