Dona Benta e Planeta Violeta: a forma muda, o Story fica
As Filhas do Dodô, de 2008, e Planeta Violeta, de 2025, são duas peças de teatro da Storytellers separadas por dezessete anos e por métodos de produção opostos, e provam que num projeto de storytelling a forma pode mudar por completo enquanto o trabalho permanece o mesmo: criar um Story que não existia antes.
Dona Benta e Planeta Violeta: a forma muda, o Story fica
A forma trocou tudo entre as duas peças. Por dentro, foi o mesmo trabalho.
As Filhas do Dodô, de 2008, e Planeta Violeta, de 2025, são duas peças de teatro da Storytellers separadas por dezessete anos e por métodos de produção opostos, e provam que num projeto de storytelling a forma pode mudar por completo enquanto o trabalho permanece o mesmo: criar um Story que não existia antes.
Story é o que se conta. Telling é como se conta.
O que As Filhas do Dodô e Planeta Violeta têm em comum
As Filhas do Dodô nasceu em 2008, criada para a marca Dona Benta, da J. Macêdo, a partir de uma pesquisa de marca conduzida pela Troiano Branding. Planeta Violeta é de 2025, encomendada por uma fintech entre as maiores do país. Os clientes são outros, as plateias são outras, os enredos são outros.
O que aproxima as duas é a natureza do trabalho. Em cada uma, a Storytellers construiu um Story que não existia antes, com um conflito, uma plateia e uma consequência a alcançar. O teatro foi a forma que coube a esse trabalho nas duas vezes. O Telling foi a extremos opostos, e o Story ficou no centro das duas.
Como a forma das duas peças mudou entre 2008 e 2025
As Filhas do Dodô foi um trabalho de fôlego longo. O cliente entregou um dossiê de 1.248 slides de pesquisa de marca, e a Storytellers transformou esse dossiê inteiro em peça de teatro. Foi um mês de trabalho, quase sem dormir, até o roteiro chegar à versão 17 e a peça ficar de pé.
Planeta Violeta foi o contrário no relógio. O roteiro saiu de um dia pro outro, literalmente: a escrita começou ao meio-dia e terminou no começo da tarde do dia seguinte. Dezessete anos separam um mês de trabalho de uma tarde para a outra, e as duas peças chegaram de pé.
Como a peça de 2008 treinou a máquina que escreveu a de 2025
A ligação entre as duas peças vai além da comparação, e tem data e hora. Em novembro de 2025, pouco antes de escrever Planeta Violeta, Fernando Palacios subiu o roteiro de As Filhas do Dodô, a peça de 2008, para uma inteligência artificial, e pediu que ela encontrasse ali os elementos, os motivos e os padrões ligados ao sucesso daquela peça. Horas depois, no mesmo dia, esses padrões já estavam dentro da máquina que escreveria o roteiro novo. A peça de 2008 treinou a máquina que escreveu a de 2025.
Fernando Palacios resume o que sentiu ali: “Descobrir que eu fazia uma peça de teatro em 24 horas foi uma alegria e uma tristeza ao mesmo tempo.”
Por que as duas são um projeto de storytelling
Um projeto de storytelling se define pelo que se conta, e a forma que embala esse conteúdo vem depois. As Filhas do Dodô e Planeta Violeta são a prova disso num só par: a mesma resposta a um conflito, diante de uma plateia, em dois formatos sem parentesco. A terceira resposta, a da consequência medida, aqui vem na forma definicional, o efeito que a estrutura do Story produz por construção: nas duas vezes, o assunto da marca chegou à plateia como história de gente. Se uma das três respostas faltasse, o trabalho seria Telling, o teatro como forma de apresentar o que a marca já contava. Telling é legítimo, só tem outro nome e outro preço. As três perguntas que definem um projeto de storytelling estão reunidas na página que fixa o critério.
A troca radical de forma atravessa outros projetos da Storytellers. O advergame que transformou um refrigerante num mistério jogável e a saga que transformou um congresso de tecnologia num universo narrativo são o mesmo tipo de trabalho, em formatos bem distantes do teatro e um do outro. Em cada um, a forma foi diferente e o Story foi o que ficou.